- Medicamentos: cetoconazol, cimetidina, nitrofurantoína, imunossupressores, quimioterápicos, antioandrógenos, esteróides anabolizantes.
- Drogas: marijuana, cocaína, álcool, heroína, LSD, ”crack’’.
- Doenças infecciosas: sexualmente transmissíveis (DST), parotidite viral, tuberculose, hanseníase.
- Estrógenos: endógenos (hepatopatias, obesidade) e exógenos (alimentos, pesticidas, medicamentos).
- Doenças crônicas: diabetes melito, arteriosclerose, insuficiência renal, lúpus eritomatoso sistêmico, hipertensão arterial sistêmica, sarcoidose.
- Fatores ocupacionais e ambientais: calor, luz, radiação eletromagnética, vibração, ruído, metais pesados.
- Fatores imunológicos: biópsia testicular, trauma, infecção, vasectomia.
- Agentes químicos.
- Criptorquidia e ectopia testicular.
- Neoplasias - testículos, próstata, bexiga, hipófise, fígado, entre outros.
SUBSTÂNCIAS E DROGAS Gonadotóxicas
1.Introdução:
O sistema reprodutivo masculino consiste em um número de órgãos individuais atuando em conjunto para produzir espermatozóides funcionais, e para depositar estes gametas no trato reprodutivo feminino. Esta produção de espermatozóides é denominada espermatogênese. A espermatogênese é um processo elaborado de diferenciação celular começando com uma célula tronco germinativa e não diferenciada, a espermatogônia, e terminando com uma célula móvel completamente diferenciada e especializada chamada espermatozóide.
Todo o processo reprodutivo nos homens depende de uma série de interações biológicas, envolvendo órgãos múltiplos, inúmeros tipos celulares e tipos de moléculas, bem como uma coordenação de eventos fisiológicos precisa. Apesar da complexidade do sistema reprodutivo masculino, este sistema biológico é totalmente vulnerável a certos fatores ambientais, físicos e químicos.
Os principais mecanismos de falência reprodutiva são mediados por efeitos citotóxicos, geralmente causados por drogas e substâncias químicas. Estas substâncias denominadas gonadotóxicas podem agir no eixo hipotálamo-pituitário-gonadal, nos testículos (principalmente no epitélio germinativo), na espermatogênese, no epidídimo, no sistema ductal e nas glândulas acessórias. Este grupo de gonadotoxinas representa uma das causas de infertilidade masculina, entretanto com a possibilidade de ser efetivamente tratada pela interrupção do tratamento (ou uso da substância), ou remoção do paciente do ambiente tóxico. Algumas gonadotoxinas incluem cigarro, álcool, maconha, cocaína, esteróides anabolizantes, bem como alguns medicamentos de uso comum.
ALTERAÇÕES DA ESPERMATOGENESE
Alguns medicamentos podem interferir na espermatogênese, alterando os parâmetros seminais (concentração, motilidade, morfologia). A intensidade de ação destas substâncias depende tanto da dose utilizada como da duração do tratamento, sendo que, quanto maior a duração do tratamento e a dose administrada, maior o dano causado ao organismo.
Há uma dificuldade em se identificar quais substâncias atuam deleteriamente sobre a função testicular, já que pesquisas feitas "in vitro" podem não demonstrar o mesmo efeito in vivo. Além disso, enquanto algumas substâncias mostram especificidade de ação sobre órgãos e tipos celulares em particular, outras têm amplo efeito atingindo diversos locais.
Tendo em vista que muitas drogas, medicamentos e outras substâncias químicas apresentem efeitos tóxicos para o trato reprodutivo masculino, sendo capazes de alterar os parâmetros seminais, torna-se essencial, que no momento da coleta do sêmen, o paciente seja questionado quanto ao uso de quaisquer substâncias nos últimos 6 meses.
2.Medicamentos que diminuem a concentração espermática "in vivo":
Acetato de Leuprolida
Oligozoospermias de moderadas a acentuadas na vigência do tratamento.
Acetato de Megestrol
Oligozoospermias em tratamentos prolongados.
Ácido Valpróico
Medicamento utilizado como anticonvulsivante, causa oligoastenoteratozoospermia com dosagens iguais ou superiores a 750 mg/dia. É dose e tempo dependentes.
Azatioprina
Oligozoospermias são freqüentes durante o uso da droga e podem perdurar por algum tempo após.
Bicalutamida
Oligozoospermias graves ou azoospermia, dependendo do tempo de tratamento e dose utilizada.
Bussulfan
Azoospermias e atrofia do epitélio germinativo podem ocorrer na maioria dos casos. Oligozoospermias podem ocorrer nas doses terapêuticas preconizadas.
Captopril
Ocorrência de oligozoospermia em uma porcentagem considerável dos pacientes. Inibição da interação espermatozóide-oócito.
Cetoconazol, Ketoconazol e Imidazol
Alteração do eixo hipotálamo-pituitário-gonadal com disfunção testicular, também afeta diretamente as células de Leydig. Alteração hepática interfere com o metabolismo da testosterona. Diminuição da concentração de espermatozóides em tratamentos prolongados, com 800 a 1200 mg/dia. Casos de azoospermia podem ocorrer ocasionalmente.
Ciclosporina
Causa diminuição nos níveis séricos de testosterona, agindo diretamente nas células de Leydig e/ou alteração no eixo hipotálamo-pituitário-gonadal, seu uso crônico pode levar a oligozoospermia grave e azoospermia.
Cimetidina
Causa redução reversível nas variáveis seminais via efeito sobre o eixo hipotálamo-pituitário-gonadal.
Ciproterona
Em altas doses pode inibir totalmente a espermatogênese. O retorno à normalidade, quando ocorre, se dá após vários meses de suspensão da medicação.
Clorambucil
Oligozoospermia grave, azoospermias.
Cloridrato de Procarbazina
Pode haver quadros de azoospermia ou oligozoospermia durante o uso do medicamento.
Colchicina
Apresenta uma potente ação anti-espermatogênica, levando a freqüentes casos de oligozoospermia e mais raros casos de azoospermias: a maioria reversíveis.
Danazol
Pode provocar casos de oligozoospermias em tratamentos longos.
Decanoato de Nandrolona
Suspensão da espermatogênese geralmente nos tratamentos prolongados e na sua vigência. A recuperação pode demorar e é tempo e dose dependente.
Decanoato de Testosterona
Efeitos semelhantes ao 17-Decanoato de Nandrolona.
Demeclociclina
Apresenta ação anti-espermática, age na espermatogênese, podendo em alguns casos, provocar azoospermia permanente.
Diethylstilbestrol (DES) e Estradiol
Diminuição da concentração sérica de LH e de testosterona, com subseqüente atrofia testicular.
Espirolactona
Produz oligozoospermia por deprimir a síntese da testosterona.
Etanol
Os efeitos do álcool parecem mais ligados a alterações cromossômicas, durante a espermatogênese, do que propriamente dito nas contagens e motilidade de espermatozóides, muito embora, há dados que relacionaram o etilismo à diminuição da espermatogênese.
Finasterida
Oligozoospermias acentuadas durante o tratamento.
Fluconazol
Oligozoospermias transitórias ao tratamento.
Fluoxy Mesterolona
Oligozoospermias transitórias, em tratamento prolongados.
Flutamida
Oligozoospermias transitórias, dose e tempo dependentes para a recuperação.
Goserelina
Oligozoospermias leves a moderadas em tratamentos prolongados.
Gossypol
Os dados da literatura são contraditórios, não havendo consenso entre os pesquisadores, mas a indicação deste, derivado do caroço do algodão, é para produção de azoospermia como pílula do homem.
Griseofulvina
Oligozoospermias leves a moderadas. Casos de azoospermias definitivas em tratamentos prolongados (maior freqüência nas alterações cromossômicas).
Haloperidol
Oligozoospermias moderadas a acentuadas durante o tratamento. Os quadros dependem da dose e tempo de tratamento.
Itraconazol
Oligozoospermias leves, moderada ou acentuadas e azoospermias em tratamentos prolongados e com doses elevadas (acima de 800 mg/dia). A recuperação pode ser lenta.
Menotrofina
Pode causar quadros variáveis de oligozoospermias, geralmente dependentes da dose e tempo de tratamento.
Metiltestosterona
Oligozoospermias e hipospermias transitórias, dose e tempo terapêuticos dependentes.
Metrotexato
Tem potente ação anti-espermatogênica, levando a quadros variáveis de oligozoospermias e azoospermias, dose dependentes, muitas vezes definitivos.
Mezalazina
Quadros variáveis de oligozoospermias e azoospermias.
Pimozida
Oligozoospermias transitórias ao tratamento.
Pirimetamina
Oligozoospermias variáveis, em tratamentos prolongados, a maioria reversíveis.
Reserpina
Oligozoospermias variáveis dependendo do tempo de tratamento. Raros casos de azoospermias transitórias.
Ribavirina
Oligozoospermiass variáveis e azoospermia, transitórios ao tratamento.
Ritonavir
Casos de oligozoospermias transitórias.
Sulfassalazina
Um dos mais conhecidos agentes tóxicos aos espermatozóides, pode provocar quadros de oligozoospermias variáveis e azoospermias, muitas vezes definitivos.
Tabaco
O tabagismo pode a longo prazo produzir casos de oligozoospermia, azoospermia e astenozoospermia.
Trimetoprina
Produz quadros de oligozoospermias leves em tratamento prolongado. Potencializa ação de outras drogas anti espermatogênese.
Undecanoato de Testosterona
Produz quadros de oligozoospermia e hipospermia, dependendo da dose e tempo de uso da droga.
Drogas de Abuso
Tanto as anfetaminas, cocaína, heroína, maconha, ópio, tabaco e álcool levam a depressão da espermatogênese com diminuição da concentração, contagem espermática e anormalidade da morfologia. Estas substâncias agem no eixo hipotálamo-pituitário-gonadal, com diminuição dos níveis plasmáticos de testosterona e efeito direto nas células de Leydig. A cocaína também tem um efeito secundário sobre as gônadas.
3. Medicamentos que diminuem a motilidade dos espermatozóides "in vivo":
Acetato de Megestrol
Acentuada ação sobre a motilidade dos espermatozóides.
Acetato de Leuprolida
Produz quadros de astenozoospermias variáveis durante o tratamento.
Ácido Valpróico
Medicamento utilizado como anticonvulsivante, causa oligoastenoteratospermia com dosagens iguais ou superiores a 750 mg/dia. É dose e tempo dependentes.
Fenitoína
A motilidade pode ter quedas da ordem de 20%, em tratamentos prolongados.
Gassypol
Significante redução da motilidade dos espermatozóides observada após 1 mês de tratamento com 10mg/dia.
Griseofulvina
Astenozoospermias podem ser transitórias ou definitivas, dependendo da dose e tempo de tratamento.
Haloperidol
Astenozoospermia transitória e dose dependente.
Reserpina
Produz quadros de astenozoospermias transitórias ou definitivas dependendo do tempo e dose do tratamento.
Tabaco
Astenozoospermias variáveis ocorrem em função do tempo de vício e número de cigarros/dia.
Timetropina
Quadros variáveis em tratamentos prolongados.
Drogas de Abuso
Tanto as anfetaminas, cocaína, heroína, maconha, ópio, tabaco e álcool levam a depressão da espermatogênese com diminuição da concentração, contagem espermática e anormalidade da morfologia. Estas substâncias agem no eixo hipotálamo-pituitário-gonadal, com diminuição dos níveis plasmáticos de testosterona e efeito direto nas células de Leydig. A cocaína também tem um efeito secundário sobre as gônadas.
Gossypol
Acentuada diminuição da motilidade após incubação prolongada.
4. Medicamentos que não tem ação sobre a motilidade dos espermatozóides "in vitro":
Cimetidina Naproxeno Ranitidina
5. Nomes comerciais dos principais medicamentos:
Acetato de Leuprolida
- Lupron, Lupron Depot, Acetato de Leprolide.
Acetato de Megestrol
-Megestat.
Ácido Valpróico
-Depakene.
Bicalutamida
-Casodex.
Bussulfano
-Myloran.
Captopril
-Capoten, Captopril, Catoprol, Hipocatril, Lopril-D.
Cetoconazol
-Cetoconazol Comprimidos, Cetonax, Cetonil, Cetozol, Fungoral, Ketocon, Ketonan, Miconan, Nizonal.
Cimetidina
-Cimetidina, Cimetil, Cimex-Retard, Cimatidine, Duomet, Etidine, Gastrodine, Leveran, Neocidine, Prometidine, Tagamet, Ulcedine, Ulcedor, Ulcenon, Ulceracis, Ulcerase, Ulcimet, Up Mep, Zagastrol.
Ciproterona
-Androcur, Climene, Diane.
Clorambucil
-Leukeran.
Cloridrato de Anfepromona
-Dualid S, Hipofagin, Inibex, Moderine.
Colchicina
-Colchicina Enila.
Danazol
-Lagodal.
Decanoato de Nandrolona
-Deca-Durabolin, Dermadin, Topidexa.
Decanoato de Testosterona (e outros derivados)
-Androxon. Deposteron, Durateston, Estandron P, Testiormina, Tesurene, Trinestril.
Espirolactona
-Aldactone, Aldazida, Lasilactona.
Fenitoína
-Epelin, Fenital, Fenitoína, Hidantal.
Finasterida
-Fenasten, Nasterid, Proscar, Prostide, Reduscar.
Fluconazol
-Candizol, Fluconal, Fluconazol, Flunazol, Lerlus, Minopax, Zoltec.
Fluoroxy Mesterolona
-Proviron.
Flutamida
-Eulexin, Flutamida, Tecnoflut.
Goserelina
-Zoladex.
Griseofulvina
-Fulcin, Sporostatin.
Haloperidol
-Haldol, Haloperidol.
Itraconazol
-Itraconazol, Sporanox, Traconal.
Metiltestosterona
- Garbomon, Gerosenil, Novosep, Testofran, Testonus.
Metotrexato
-Methotrexate, Metotrexato, Metrotex.
Naproxeno
-Naprosyn, Flanax.
Pentoxifilina
-Pentox, Trental.
Pimozida
-Orap.
Pirimetamina
-Clopirim, Daraprim.
Ranitidina
-Ranidin, Antagon, Antak, Label, Logat, Randan, Aanitidina, Ranitil, Regalil, Ulcoren, Zadine, Zyllium.
Reserpina
-Ortoserpina, Reserpina, Adeltan-Esidrex, Higroton-Reserpina, id-Sedin, Terbolan, Vagoplex.
Ribavirina
-Virazole.
Ritonavir
-Naruir.
Sulfassalazina
- Azulfin, Salazoprin.
Tamoxifeno
-Novaldex, Tamofen, Tamoxifeno, Tectotax, Tamoxifen, Temoxifeno.
Trimetropina
-Mais de 60 especialidades.
Undecanoato de Testosterona
-Androxon.
6. Referências:
1. Lipshultz, L. I., Howards, S. S.: Infertility in the male. Mosby, Third edition. 22:397-401, 1997.
2. Scialli, A. R., Zinaman, M. J.: Reproductive Toxicology and Infertility. MacGraw-Hill. 4:61-71,1993.
3. Piva, S., Ruggeri, L. S.: Medicamentos que Interferem na Contagem de Espermatozóides e sua Motilidade. Laes & Haes. 100-110,2000.