PEROXIDAÇÃO LIPÍDICA (LPO)

 

A MEMBRANA ESPERMÁTICA

Para entender o conceito de peroxidação lipídica, é importante conhecer algumas estruturas do espermatozoide importantes nesse processo. Uma dessas estruturas é a membrana plasmática.

A membrana plasmática do espermatozoide é composta por ácidos graxos poli-insaturados que garantem a fluidez necessária para a sua movimentação durante o processo de fertilização. Devido à sua composição química, os ácidos graxos poli-insaturados são alvo fácil dos radicais livres de oxigênio (ROS), provenientes do metabolismo dos espermatozoides e de fontes externas, como uso de drogas, poluição ou varicocele.

Em condições normais, as ROS são combatidas por um sistema de defesa constituído por substâncias antioxidantes, entretanto, diversos fatores intrínsecos ou extrínsecos podem reduzir a capacidade antioxidante do espermatozoide ou aumentar a produção de ROS. Quando a capacidade antioxidante é ineficiente, as ROS iniciam um ataque à membrana do espermatozoide e inicia uma cascata de alterações celulares que comprometem seu potencial de fertilização. Dessa forma, alterações na membrana são marcadores de alterações nos espermatozoides e de que o estado redox da célula está alterado.

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O TESTE

A peroxidação lipídica da membrana plasmática do espermatozoide gera subprodutos tóxicos à célula, como o malondialdeído (MDA). O MDA é mensurado em laboratório por metodologia de espectrofotometria.

Os níveis de peroxidação lipídica são proporcionais ao dano à membrana espermática. Indiretamente, pode-se correlacionar os níveis de peroxidação lipídica com a capacidade antioxidante e radicais livres de oxigênio.

Níveis elevados de peroxidação lipídica podem culminar com alterações na morfologia espermática (forma dos espermatozoides), danos ao DNA, apoptose (morte programada do espermatozoide) e maiores chances de infertilidade.

 

INTERPRETAÇÃO DO RESULTADO

  • Marcador precoce de alterações seminais e de estresse oxidativo;

  • Auxilia o médico no tratamento com terapia antioxidante;

  • ​​Permite o correto direcionamento clínico de pacientes com alterações seminais e infertilidade masculina;
  • Utilizado no acompanhamento do tratamento de pacientes com infertilidade masculina.

Referências bibliográficas:

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